sábado, julho 12

Pérolas da sétima arte

Bem-vindos ao cérebro de David Lynch. Não há roteiro, estão por vossa conta.
Sou uma grande apreciadora da obra de David Lynch, o realizador norte-americano é um verdadeiro explorador dos mais recônditos e sórdidos lugares da mente humana e mostra, como poucos, os conflitos íntimos levados ao extremo, mas não posso deixar de referir que fiquei na mais profunda e abjecta das merdas após o visionamento de "Mulholland Dr" porque gerou-se-me uma sensação de total incompreensão. E só me lembro de ter ficado assim por uma única vez, que foi após ter visto "Die Blechtrommel" aka "O Tambor". Mas convenhamos, quando vi o filme de Volker Schlöndorff eu tinha cerca de 14 ou 15 anos e na altura estava pouco disposta a abraçar películas desta natureza.

"Mulholland Dr" de David Lynch

Há em "Mulholland Dr" uma crítica a todo o universo cinematográfico de Hollywood. Para além desta observação, é-me difícil abordar esta obra de Lynch. Uma coisa é certa, perto de "Mulholland Dr", (quase) todo o cinema nos parece excessivamente cortês e doentiamente sereno.
Já li inúmeras explicações sobre o filme, porém nenhuma me convence na totalidade. Penso mesmo que só Lynch saberá montar o puzzle.

27 criaturas afundaram esta pérola:

Shinobi disse...

Também sou fã da obra de David Lynch. Apesar de gostar bastante deste filme e de outros da filmografia do realizador, sem dúvida elejo "Lost Highway - Estrada Perdida", como a minha película favorita do realizador!

Beijinho!

MARNUNEFREI disse...

Já está em fase de download… chegas-te a ver o documentário - zeitgeist -http://www.zeitgeistmovie.com/???

blueminerva disse...

Caro Shinobi,
"Lost Highway" é brilhante e é também a minha película preferida da filmografia de Lynch.
beijocas

Caro Marnunefrei,
Ainda não vi zeitgeist, mas já adicionei o link aos favoritos para que assim que tenho um tempo ver.
beijocas

Fernanda disse...

Vou-te confessar uma coisa,...a primeira vez que vi este filme, quando saí do cinema disse: bom, devo ter adormecido,...porque não percebi nada.
A segunda vez qu o vi, quando desliguei o video, disse: mas afinal, onde é que está o fio da meada deste filme,...não percebi nada.
A terceira vez, convidei uns camaradas cinéfilos,...quando as letrinhas do FIM, apareceram, disseram,:..mas que merda de filme é este pá???...não percebi nada, não percebi nada, não percebi nada, pá...o David deve-se ter metido nos copos, ele não era assim...lolol
Isto há uns aninhos atrás, provávelmente, hoje continuaria na mesma...por isso, tb penso que só mesmo o Lynch, saberá qual é o fio da principal meada daquela história...lol

Bom fim de semana

Sancho Gomes disse...

estou convencido que nem mesmo o David Lynch o conseguiria explicar.
Quanto ao filme preferido do "amigo", sem dúvida: Uma história Simples.

Nuno disse...

Blue,

Sou um admirador confesso de Lynch, e adorei este filme. Acho "Inland Empire" um puzzle mais complicado que "Mulholland Drive"... e nem por isso deixei de gostar do filme.
A menina tem muito bom gosto cinematográfico...entre outros

Beijos e Abraço

Mr. Lekker disse...

Sem dúvida um bom filme. Daqueles que não nos larga. Como deve ser.

MouTal disse...

Parafraseando um amigo meu que percebeu tanto do filme como a Fernanda...

Não me lixem com o Lynch.

Depois passa cá por casa.
Beijinho.

Su disse...

olha estou como o amigo do moutal:)))

é verdade..o tambor....ainda hoje me atormenta

jocas maradas e lixadas

blueminerva disse...

Cara Fernanda,
Há "detalhes" no filme que adorei, magníficas interpretações, a fotografia, as cores, as vozes quase sempre em susurro, a banda-sonora etc... a cena filmada no clube "El Silencio" é brilhante e tão lynchiana se me permites a expressão. O que não consegui foi agrupar as peças do puzzle e isso sim deixou-me na merda.

Caro Sancho,
Acho muito sinceramente que o cérebro de Lynch devia de ser objecto de estudo assim que o realizador perecer. É um génio.

Caro Nuno,
Todas as obras de Lynch são extraordinárias. O que lamento é, neste filme não ter alcançado o grau de genialidade do realizador. É fodido não perceber e ler por essa blogosfera que montes de gente percebeu o filme. Se calhar um segundo visionamento me abrirá as portas à mente do realizador.
Quanto ao meu gosto cinematográfico... epá, perto de ti sou uma aprendiz.

Caro Mr.Lekker,
Ficou entranhada no cérebro como todas as obras de Lynch. É digna de uma longa tertúlia.

Caro MouTal,
Lynch lixa-nos o juízo de uma forma deliciosa... há poucos realizadores assim.

Cara Su,
Também viste "O Tambor"? Queria tanto voltar a ver porque na altura pouco percebi.

Abraços e beijos povão

jasmimdomeuquintal disse...

vi o filme há muitos anos. Como adoro Linch o filme foi uma agadável surpresa bem ao seu jeito.Lá para Maio devo ir à tua ilha, vou lá organizar um congresso...

vita disse...

Lynch é realmente na minha opinião um génio.

O que gostei especialmente foi Wild at Heart talvez por ter o Nicolas Cage de quem eu sou fã também.

Mas quase todos os filmes dele têm aquela "insanidade" que fascina.

Beijos querida

Vieille Canaille disse...

Vi hoje o Eraserhead.

Rocket disse...

"Die Blechtrommel" é fabuloso! magnífico! fantástico!

o linch encaro-o como um bufftet: escolho. "a simple story" deixa-me nas nuvens. a sim como o "wild at heart" me diverte muitíssimo. contudo, não sei porquê...coisas com lauras palmers afastam-me... : I

beijos, sereia

GotchyaYinYang disse...

Adorei este filme, e fiquei com a sensação que o David Lynch quer que cada um de nós interprete o filme à sua maneira e dê um peso específico a cada personagem. Cada uma mais bizarra que a outra...!

Entretanto no Dvd, existe um extra com 10 pistas para entender o filme. Supostamente 10 pistas pelo próprio David. Fiquei quase na mesma, se bem que já nem me lembro bem quais eram... foi há muitos anos... Mas lembro-me que o cowboy era fundamental.

Wild at Heart: Muito muito bom!

Cataclismo Cerebral disse...

O Mulholland Drive é um dos filmes mais fascinantes da história do Cinema e um dos filmes da minha vida! Esta obra onírica e surrealista de Lynch é, de facto, complexa (a primeira vez que a vi fiquei perdido), mas após vários visionamentos comecei a juntar as peças do puzzle. E sim, é uma valente crítica a essa terra de ilusões que é Hollywood.

SPOILERS SPOILERS SPOILERS A minha interpretação é a seguinte:

- A primeira parte é toda um sonho. O filme abre com Diane (Naomi Watts) a recordar-se da vitória no concurso de dança que lhe abriu as portas para Hollywood e logo de seguida vê-se uma imagem de alguém a cair à cama. Diane vai começar a sonhar: nesse sonho ela chama-se Betty, é uma actriz talentosa, determinada e perspicaz que vai para Hollywood e que lá encontra uma mulher sem memória, Rita, que se torna totalmente dependente em relação à actriz. Nesse sonho, onde um realizador vê a sua vida pessoal e profissional ser atormentada, Betty é a luz, o talento, a determinação e a dignidade em pessoa...

Mas... a realidade é que Diane (Naomi) foi para Hollywood, não teve sucesso, apaixonou-se por Camilla (Laura Elena), que logo a trocou pelo realizador, entrou no mundo das drogas e perdeu-se para sempre. Furiosa, contrata um assassino para eliminar o amor da sua vida, que ela não suporta ver nos braços do jovem realizador. Neste "capítulo" da realidade (que corresponde à recta final do filme), vemos pessoas que ela levou subconscientemente para o seu sonho no início: o cowboy, o mafioso do "café estragado", a actriz loura do casting e a empregada de restaurante chamada Betty (cujo nome ela roubou), entre outros.

Em suma: no seu sonho ela vence todos os obstáculos, tem talento a rodos e é amada. Na realidade, falhou a todos os níveis e passou para o lado negro de Hollywood (abuso de drogas, álcool,...), culminando no arrependimento pela morte de Camilla e no brutal suicídio. A cena no Club Silencio diz tudo (ouve-se uma banda a tocar, no entanto ela não está lá)...

Peço desculpa pelo comentário gigante, mas tenho mesmo de fazer justiça ao filme.

Abraço

pinguim disse...

100% de acordo com o Rocket, para o positivo e para o negativo...

Vieille Canaille disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
blueminerva disse...

Obrigada Cataclismo pela tua análise. Tal como a maioria das pessoas, vou precisar de um segundo visionamento.
beijinhos

Caro Vieille, naturalmente que sendo você um apreciador confesso de ABBA está num pedestal que é para mim inatingível.

Abraços e beijos povão

Vieille Canaille disse...

Acho que não leste o que escrevi sobre ABBA no teu post dos Queen! Pelo menos não respondeste. Beijos.

Ricardo Ramalho disse...

O filme é lindo por não tem muito sentido...

lampâda mervelha disse...

Não é o Oskar que arranca uns pintelhos à dentada? É que já la vai tanto tempo...

blueminerva disse...

Ahaahahha Lâmpada!!! O que me lembras... também já vi à muito tempo, mas ainda me lembro das amantes do Oskar.

Paulo Moniz disse...

Mulholland Drive tem sido O filme que me acompanha há algum tempo e que revejo sem nunca o perceber; Lynch e a sua obra! Não é para qualquer um, talvez, se não mesmo para ele; enfim...

Cândida disse...

eu não sou particularmente fã de David Lynch. Prefiro outro tipo de cinema mas digo-te que percebi tudinho ( cof cof, isto é gabarolice, alguma - pouca- coisa) do filme

João Silva disse...

Não gostei, e não gosto da maior parte da obra do David Lynch! Dos que ainda tenho em memória, "Uma História Simples" é, de longe, o melhor!

Para mim os filmes têm de contar uma história, da forma que se quiser, de preferência original, mas é essencial que seja compreensivel! A maioria dos filmes do Lynch não me dizem nada! Não posso considerar um génio, alguem que faz filmes que me ultrapassam por completo! Um génio é muito mais do que alguem que faz coisas complicadas e incompreensiveis!

Para ver imagens bonitas, prefiro olhar para um quadro... E para vozes susurradas oiço Pedro Abrunhosa! Para filmes prefiro o Spielberg, Moretti, Fernando Meirelles entre muitos, muitos outros!

Poppie disse...

sou fã do sr desde o twin peaks que devorei na altura, mas às vezes tenho a sensação que nem mesmo o david lynch percebe bem o fio condutor do que faz. A sua filha Jennifer Chambers Lynch (autora do famoso diário secreto de laura palmer, que a minha professora de português do 9º ano me proibiu de apresentar na aula), realizou um filme que está agora nas salas, "Surveillance". é impossível não perceber o cunho do pai no filme, mas não é tão recôndito nem rebuscado.